sexta-feira, agosto 03, 2007

medo


sempre tive medo quando começo a escrever. só o sangue, o ranho, o suor, têm verdadeira dignidade de tinta. tenho medo de aperceber a nódoa de tinta permanente presa aos dedos, como se fosse um sinal indelével de doença incurável, vertiginosa. medo das feridas que alastram pelo interior do corpo, invisíveis, incuráveis como os textos. a memória destas textos é uma ferida com crosta de coral, reabre ao mais ligeiro respirar.

a tinta das palavras é semelhante a esta magra película de esperma ressequido. esgravato-o com a unha e surge um rosto, um corpo dentro doutro corpo. a dor.
al berto



em al berto estão normalmente presentes o sofrimento, a perda, as dependências, o sexo, a solidão e o processo criativo... a escrita parte para paisagens... "um vapor lilás imenso e transparente"... a forma é diferente, mas encontra-se do mesmo na criação musical...

o processo de criação parece ser qualquer coisa parecida com um comportamento desviante... isolamento, desvio, outras referências, outras paisagens imaginárias... parece patológico... a indústria da cultura parece alimentar-se de ranho, sangue e suor... a obra está sempre à frente do indivíduo...







4 comentários:

laura disse...

deveras.

tolilo disse...

"a indústria da cultura parece alimentar-se de ranho, sangue e suor... a obra está sempre à frente do indivíduo... "

E onde é que está a dúvida?
Concordo, em absoluto, contigo!

Poltergeist disse...

por acaso no outro dia vi uns livros dele e tive kuase pra comprar... o ke recomendas pra me.............. iniciar... nele?

+ novo post no Desolation Row... axo k vais gostar deste..

merdinhas disse...

m.e..d.o


faz parte.